Se você passou por uma cirurgia complexa após uma fratura e hoje carrega placas, pinos ou parafusos na perna, provavelmente já percebeu que o corpo não funciona mais da mesma forma.
A verdade direta é que sim, quem tem placa na perna pode se aposentar pelo INSS, mas o caminho para conquistar esse direito não depende apenas do material cirúrgico no seu osso, e sim de como essa condição afeta o seu dia a dia.
Muitas pessoas continuam trabalhando sentindo dores profundas nos dias frios, mancando discretamente ao final do expediente ou fazendo um esforço heróico para operar máquinas e carregar peso, sem saber que a lei protege essa condição de saúde.
Quer entender como transformar a sua limitação física em um direito garantido e seguro? Continue a leitura e descubra as regras que o INSS não te conta.
Quem coloca placa na perna tem direito a aposentadoria?
Para a Previdência Social, a presença da placa de titânio ou aço na perna não gera um direito automático à aposentadoria.
O que o perito do INSS analisa de verdade é a limitação física e a incapacidade de trabalho que essa cirurgia e a consolidação da fratura deixaram na sua rotina.
Dependendo do nível de sequela que ficou após a sua recuperação, você tem direito a caminhos diferentes na lei:
Aposentadoria por Incapacidade Permanente (Invalidez)
Indicada para os casos mais graves, em que a colocação da placa gerou complicações que impedem totalmente o retorno ao mercado de trabalho (como encurtamento severo do membro, perda quase total de mobilidade do joelho ou tornozelo, ou dor crônica que inviabiliza qualquer profissão).
Aposentadoria da Pessoa com Deficiência (PCD)
Se você conseguiu voltar a trabalhar, mas a placa na perna limita seus movimentos, diminui sua força para subir escadas, carregar peso ou passar horas em pé, você tem direito de se aposentar mais cedo por esta categoria especial.
O INSS reduz a idade mínima ou o tempo de contribuição necessário para quem trabalha enfrentando essas barreiras físicas.
Auxílio-Acidente: O direito que quase ninguém conhece
Se a placa na sua perna é decorrente de qualquer acidente (seja um acidente de trabalho em uma metalúrgica, um acidente de trânsito de moto ou até uma queda em casa) e deixou uma sequela que reduziu a sua capacidade de trabalho, você tem direito ao Auxílio-Acidente.
A grande vantagem: O INSS paga uma indenização mensal correspondente a 50% do seu teto e você pode continuar trabalhando de carteira assinada e recebendo seu salário normalmente.
O benefício serve justamente para compensar o esforço extra que seu corpo faz todos os dias.
Quem tem pino e placa é considerado PCD?
Sim, pode ser considerado. No INSS, o conceito de Pessoa com Deficiência (PCD) não se limita a quem perdeu um membro.
A lei define que PCD é todo segurado que possui impedimentos de longo prazo (mínimo de 2 anos) de natureza física que, ao interagir com as barreiras do cotidiano, enfrenta mais dificuldades do que um trabalhador comum.
No dia a dia de quem trabalha no comércio ou na indústria, ter placa e pinos na perna pode significar:
- Dificuldade para permanecer em pé durante toda a jornada;
- Falta de equilíbrio ou limitação para agachar e levantar componentes;
- Perda de força muscular e fadiga precoce no membro operado.
Se você convive com essas limitações, você é considerado PCD física para fins previdenciários.
Essa condição será avaliada no INSS por meio de uma perícia médica e uma avaliação social (biopsicossocial), analisando os desafios reais da sua rotina de trabalho.
Como solicitar a aposentadoria para quem tem placa na perna
O pedido deve ser iniciado diretamente pelo portal ou aplicativo “Meu INSS” ou pelo telefone 135. Ao dar entrada no pedido de Aposentadoria PCD ou por Incapacidade, o sistema agendará as perícias necessárias.
Para que o seu direito seja reconhecido e o perito compreenda a gravidade do seu caso, você precisa apresentar uma pasta de provas impecável. Não basta apenas mostrar a cicatriz. Organize e leve:
- Laudo do ortopedista detalhando a perda de mobilidade, a rotação do membro e a força muscular;
- Cópia do prontuário médico da cirurgia de colocação da placa;
- Exames de imagem (raios-X ou tomografias) que mostrem claramente o material cirúrgico;
- Receitas de medicamentos contínuos para dor;
- O documento de saúde ocupacional da empresa (antigo PPP ou LTCAT) descrevendo que o seu trabalho exige esforço físico, carregar peso ou ficar em pé.
Valor da aposentadoria para quem tem placa na perna
Se você for enquadrado na Aposentadoria por Tempo de Contribuição PCD, o valor do benefício é altamente vantajoso porque foi blindado contra os cortes da Reforma da Previdência.
O cálculo corresponde a 80% da média dos maiores salários desde julho de 1994, garantindo que você receba o valor integral do seu histórico de trabalho.
Se a sua limitação for muito grave a ponto de gerar a Aposentadoria por Incapacidade Permanente (Invalidez) decorrente de um acidente de trabalho (muito comum em indústrias e metalúrgicas), o cálculo será de 100% da média salarial.
Caso seja uma invalidez comum (não ligada ao trabalho), o cálculo parte de 60% e aumenta conforme o seu tempo de contribuição.
O papel do advogado para garantir que os direitos sejam garantidos
Conseguir que o INSS reconheça a limitação física de quem tem placa na perna é um desafio.
O sistema do órgão costuma ser frio e automatizado, e muitos peritos médicos fazem exames apressados de cinco minutos.
Se você consegue caminhar até a sala de perícia, eles frequentemente concluem que “o osso colou e você está apto”, ignorando as dores e a perda de rendimento que você sofre no trabalho pesado do dia a dia.
O acompanhamento de um advogado especialista em Direito Previdenciário é a sua maior segurança para equilibrar o jogo e garantir o valor justo por meio de:
- Planejamento Previdenciário Estratégico: Analisamos toda a sua vida de trabalho (inclusive períodos em metalúrgicas com exposição a ruído, graxa ou óleo, que podem ser somados para antecipar ainda mais a sua saída) para encontrar a regra que pague o maior valor mensal possível.
- Blindagem de Provas Médicas: Orientamos como o seu médico deve redigir o laudo para que o perito do INSS não tenha margem para ignorar a sua limitação física.
- Atuação Firme na Justiça: Se o INSS negar o seu benefício de forma injusta, ingressamos com uma ação judicial. Na Justiça Federal, você será avaliado por um perito médico especialista independente, garantindo um exame humano, respeitoso e focado na sua realidade física e profissional.
Nós sabemos o quanto você trabalhou duro e se esforçou para sustentar sua família mesmo convivendo com dores na perna e limitações físicas provocadas por pinos e placas.
A sua aposentadoria com regras mais brandas ou o recebimento do Auxílio-Acidente não são favores do governo, são direitos legítimos garantidos por lei para quem enfrentou a vida profissional com um obstáculo a mais.
Se você deseja fazer um cálculo seguro do seu tempo de contribuição, entender se o seu caso já permite se aposentar ou se precisa reverter uma negação injusta do INSS, nossa equipe está de portas abertas para ouvir e defender a sua história.
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