Quem fez cateterismo pode se aposentar por invalidez?

A resposta direta é: sim, quem fez cateterismo pode se aposentar por invalidez (aposentadoria por incapacidade permanente), mas isso não acontece de forma automática apenas por ter realizado o procedimento.

O fator decisivo para o INSS não é a cirurgia ou o cateterismo em si, mas sim a gravidade da sequela cardíaca que ficou e como ela impede você de exercer o seu trabalho.

Para quem lida com o cansaço extremo ao fazer pequenos esforços, a falta de ar que surge do nada ou o medo constante de um novo infarto enquanto bate o cartão na empresa, o retorno ao trabalho parece uma barreira intransponível.

A rotina pesada de quem atua na indústria, no comércio ou em escritórios exige um fôlego que o coração fragilizado muitas vezes não consegue mais dar.

Quer entender como comprovar essa limitação de forma correta e o que o INSS avalia de verdade nesses casos? Continue a leitura e descubra seus direitos.

Quem faz cateterismo tem direito a qual aposentadoria?

O cateterismo é um procedimento médico invasivo utilizado para diagnosticar ou tratar entupimentos nas artérias do coração.

Quando o trabalhador passa por esse processo, ele pode ter direito a diferentes caminhos na Previdência Social, dependendo do seu estado de saúde residual:

  • Benefício por Incapacidade Temporária (antigo Auxílio-Doença): Concedido para o período de recuperação logo após o procedimento. O coração precisa de tempo para cicatrizar e o trabalhador precisa repousar antes de qualquer esforço.
  • Aposentadoria por Incapacidade Permanente (antiga Aposentadoria por Invalidez): Voltada para os casos em que, mesmo após o cateterismo (e eventual colocação de stents ou realização de ponte de safena), o coração continua fraco (insuficiência cardíaca grave), impossibilitando o retorno definitivo a qualquer tipo de trabalho.
  • Aposentadoria da Pessoa com Deficiência (PCD): Se você conseguiu voltar ao trabalho, mas o comprometimento cardíaco limita sua força física, exige esforço dobrado e impõe barreiras severas na sua rotina comparado a trabalhadores saudáveis, você pode se enquadrar como PCD física. Isso garante a aposentadoria mais cedo (com redução de idade ou tempo de contribuição) e com cálculo mais vantajoso.

Quem fez cateterismo pode se aposentar por invalidez?

Como explicamos, a resposta é sim, desde que o procedimento revele ou resulte em uma cardiopatia grave que gere incapacidade total e permanente.

Muitas vezes, o cateterismo é realizado após um infarto agudo do miocárdio. Se o infarto deixou o músculo do coração muito fraco ou dilatado, o paciente desenvolve limitações severas.

Atividades comuns da rotina de quem trabalha, como carregar caixas, operar maquinários no polo metalmecânico ou até caminhar distâncias moderadas sob pressão, tornam-se perigosas e inviáveis.

Nesses cenários, a aposentadoria por invalidez é o caminho correto para proteger a vida do trabalhador.

Quais doenças do coração dão direito à aposentadoria por invalidez?

O INSS avalia principalmente se a doença do coração se enquadra no conceito de cardiopatia grave.

As condições cardíacas que mais geram essa incapacidade definitiva são:

  • Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) avançada: Quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue corretamente;
  • Cardiopatia Isquêmica Grave: Obstruções severas nas artérias que causam dores no peito (angina) constantes, mesmo em repouso;
  • Arritmias Cardíacas Graves: Batimentos cardíacos descontrolados que causam tonturas, desmaios e risco de morte súbita;
  • Miocardiopatias: Doenças que enfraquecem o próprio músculo cardíaco.

Importante: Se a sua cardiopatia for considerada grave pela perícia médica do INSS, você tem direito à isenção de carência (não precisa ter o número mínimo de contribuições mensais exigido por lei) para receber o benefício, bastando ter a qualidade de segurado na época do diagnóstico.

Quem fez cateterismo é considerado PCD?

Sim, pode ser considerado. Se o comprometimento das funções do coração for crônico e limitar de forma permanente a sua força física, a mobilidade e a capacidade de realizar esforços comuns, você pode ser enquadrado como Pessoa com Deficiência (PCD) na categoria física/sensorial de órgãos internos.

No dia a dia, isso se traduz no trabalhador que, por recomendação médica expressa, não pode sofrer estresse severo, carregar peso ou fazer esforço físico contínuo.

Ao comprovar essa condição por meio de uma avaliação biopsicossocial no INSS, você passa a ter acesso às regras da aposentadoria PCD, que são mais brandas e não sofreram os cortes drásticos da Reforma da Previdência.

Como solicitar a aposentadoria para quem fez cateterismo

O processo começa com o pedido do antigo auxílio-doença através do portal ou aplicativo “Meu INSS” ou ligando para o telefone 135.

Durante o período de afastamento e na perícia médica, o médico do INSS avaliará se a sua condição é definitiva para sugerir a conversão em aposentadoria por invalidez.

Para que o seu direito seja reconhecido, você deve construir uma pasta de provas médicas sólida e organizada. Apresente ao perito:

  • O relatório da cirurgia/procedimento de cateterismo (e do implante de stents, se houver);
  • O exame de Ecocardiograma recente (fundamental para o perito analisar a chamada “Fração de Ejeção” do coração, quanto menor esse número, mais fraco está o órgão);
  • Laudo médico detalhado do seu cardiologista declarando o diagnóstico (CID), os sintomas de limitação (como fadiga ao menor esforço, falta de ar ou angina) e a impossibilidade definitiva de retorno ao trabalho;
  • Receituário de todos os medicamentos controlados de uso diário.

E se o INSS negar o pedido: pode reverter?

Infelizmente, a negativa do INSS para doenças cardíacas é extremamente frequente. Os peritos do órgão costumam fazer exames rápidos e superficiais.

Se você entra na sala caminhando normalmente e não aparenta estar passando mal naquele exato minuto, o INSS frequentemente conclui que você “está apto para o trabalho”, ignorando os riscos de vida que um esforço excessivo representa para o seu coração no chão de fábrica ou no comércio.

Se o seu pedido foi negado, você pode e deve reverter essa decisão. Não aceite o primeiro “não”.

O caminho mais seguro é ingressar com uma ação judicial contra o INSS.

Na Justiça Federal, o seu caso será analisado por um médico especialista em cardiologia nomeado pelo juiz.

O perito judicial fará uma avaliação minuciosa do seu prontuário, do histórico das artérias obstruídas e da sua rotina de trabalho real, garantindo uma decisão justa e o pagamento de todos os valores atrasados desde o primeiro pedido negado.

O papel do advogado para garantir que os direitos sejam garantidos

Lidar com a recuperação de um procedimento no coração, a fragilidade emocional de conviver com uma doença grave e o desespero de ver o sustento da família ameaçado é um peso enorme.

Tentar decifrar a burocracia do aplicativo do INSS e as regras das leis previdenciárias nesse momento de fraqueza física é exaustivo.

O acompanhamento de um advogado especialista em Direito Previdenciário serve para restabelecer o equilíbrio a seu favor por meio de:

  • Planejamento de Renda: Analisamos o seu histórico para identificar a regra mais vantajosa financeira e emocionalmente, seja a incapacidade permanente ou a aposentadoria PCD.
  • Montagem Estratégica do Processo: Analisamos e organizamos os seus laudos e exames antes da perícia, garantindo que o seu cardiologista escreva exatamente o que o perito do INSS ou o juiz precisam ler para conceder o benefício.
  • Defesa Firme na Justiça: Assumimos toda a disputa judicial contra o INSS, formulamos os quesitos técnicos para o perito médico e blindamos o seu direito para que você receba o valor correto e justo.

Nós sabemos que por trás de um prontuário médico de cateterismo existe a história de alguém que dedicou anos de esforço ao trabalho, muitas vezes sob estresse extremo, para garantir o pão de cada dia.

O seu coração cansado não precisa passar pela humilhação e frieza de um sistema automatizado do governo sem o amparo devido.

A aposentadoria não é um favor estatal, é o seu direito de cuidar da sua saúde com a dignidade, a segurança financeira e a paz de espírito que você e a sua família merecem.

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